quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

VILA GUILHERMINA - HISTÓRIA

Augusguilhermina3 VILA GUILHERMINA - PRIMORDIOS Pesquisando no Google matéria inserida na internet referentes aos bairros que dependiam para sua existência da estação ferroviária de Vila Matilde do ramal suburbano da EFCB, me despertou a atenção o bairro de Vila Guilhermina. Veio-me a mente recordações de tempos anteriores a sua implantação, e anos seguintes. Como resido no bairro de Vila Esperança desde os princípios anos da década de 30, onde me criei e resido até a presente data, acompanhei durante todos esses anos, a evolução constante da região. Considero-me uma pessoa privilegiada, pois nasci na Rua Almeida Lima no Brás, importante centro da indústria e do comércio na época, com todos os privilégios de uma cidade grande, e me criei no bairro de Vila Esperança (1) a moda do interior, no meio de plantas e pequenos animais. (1) Zona rural na época. Dessa forma conheço a região desde seus primeiros anos de formação. Posso afirmar que Vila Guilhermina pertencente ao subdistrito de Vila Matilde é a irmã mais nova dos bairros de Vila Matilde e Vila Esperança. O loteamento que deu origem a Vila Guilhermina foi implantado em uma região elevada, coberta por vegetação rasteira onde predominava a Barba de Bode, procurada por moradores das redondezas para confecção de artesanato. Contrastava em muito com sua parte mais baixa, limite com a Vila Matilde, onde existia uma mata fechada conhecida como Mato do Sétimo, (2) rica em caça e pesca, que a isolava do bairro Vila Matilde. (2) Fazia limite com a Rua Joaquim Marra. Nas noites de verão não era difícil encontrar pessoas portando visgo e lanterna a luz de carbureto na caça as rãs e pequenos animais e aves, abundantes na região. Entretanto não só a parte baixa da região era rica em fauna. Os moradores das imediações criadores de pássaros, munidos de armadilhas de captura, levavam suas gaiolas com as chamas, na tentativa de atrair um exemplar de canário Pirrita, conhecido na época como Canário Típiu, muito admirado pelos colecionadores. Outro fato interessante dos anos 30/40,  ainda criança, fica olhando da varanda de casa para a parte mais alta do terreno ainda descampado, um hangar que era usado para guarda de planadores na pratica de voo livre, conforme  de meus primos informavam. Esses planadores eram lançados ao ar em direção oeste (parte mais baixa), mediante impulso por um sistema espécie de um estilingue. Entretanto, o que poucas pessoas sabem é que Vila Guilhermina em 1924, tornou-se uma região militar estratégica para as forças rebeldes paulistas. Durante a revolução esquecida de 1924, (3) Vila Guilhermina foi um baluarte na defesa dos revoltosos contra as tropas federais que vinham do Rio de Janeiro por de Mogi das Cruzes. (3) Chamada como revolução do Isidoro, ou Movimento Tenentista. Como na época o meio de transporte de tropas era feito por via férrea, o comando dos revoltosos paulistas atuantes na região, ordenou que fossem cavadas várias trincheiras em terreno paralelo à EFCB, na região até a curva da linha férrea, existente entre as atuais Estações Vila Guilhermina Esperança e Estação Patriarca, (4) na defesa do território dos revoltosos paulistas. (4)- Área engolida pela implantação e continuação da Av. Antônio Esteves de Carvalho. Por sua vez as tropas de São Paulo, ficaram acampadas do lado norte da Estação Vila Matilde, parte baixa em área de Vila Macedo Soares segundo mapas da época, área esta hoje pertencente ao bairro de Via Esperança. Por sua vez, o governador Carlos de Campos refugiou-se na Estação Penha (5), após o palácio governo ter sido bombardeado pelas forças federais. (5) Antiga Estação Carlos de Campos do ramal suburbanos da E.F.C.B. Faziam parte das tropas acampadas junto a Estação Vila Matilde, membros do 2º BPM/M conhecidos com Dois de Ouro, atualmente sediado no Quartel existente Amador Bueno da Veiga nº 2774 em Vila Esperança. Devo lembrar que tempos depois, que no terreno onde foram cavadas essas trincheiras, passaram a ser garimpadas por pessoas moradoras nas imediações, em busca de carcaças de munição, entre elas balas de fuzil algumas não deflagradas e de granadas. Somente os mais corajosos se aventuravam a entrar nas valas, devido à existência de cobras e animais peçonhentos na região. Os garotos que encontravam as balas não deflagradas tinham por objetivo fazer pequenas faquinhas como brinquedo. Retirado o projetil da carcaça, os mesmos eram colocados sobre os trilhos da via férrea, para que as rodas dos trens ao passar as laminassem. Meu pai alfaiate na época ganhou um desses projetis (6) picado e não detonados, fez dele um agulheiro. 6) – Munição de 1903. Quando foi lançado o loteamento que lhe deu origem, a pessoa intermediária entre os compradores e os proprietários, era conhecido com Sr. João, morador de Vila Esperança mais precisamente na Rua Maria Carlota esquina com a Rua 19 de Maio. Sua residência era conhecida como a Casa das Águias, devido toda a sua fachada ser ornamentada por várias peças esse símbolo. Na época da sua implantação, a gleba era praticamente isolada do bairro de Vila Matilde. Havia somente uma trilha (7) em meio da mata alta e uma pinguela sobre o Córrego Gamelinha. (7) - Ficava onde foi implantada a Av. General Lamartine que a liga a ruas Joaquim Marra. Seus primeiros moradores tinham como opção, usar uma passagem de nível existente na Rua Rincão, que a ligava à parte alta de Vila Esperança, onde seus moradores podiam fazer suas compras na Rua Cecilia na venda do Sr. Pintado, e demais pontos comerciais existentes na Rua Gilda.. Para chegarem a Estação Vila Matilde, a opção mais comum era usar o leito da estrada de ferro, com direito a travessia de um pontilhão existente sobre o córrego Gamelinha. Texto livre para pesquisa e correção de possíveis omissões. O autor.